CHASSIDISMO (séc XVIII
E.C.)
"Tudo o que eu atingi, eu atingi não pelo estudo, mas pela prece."
Baal Shem Tov

Ao longo do século XVII, a vida dos judeus da Polônia piorou muito.
Inúmeras perseguições ocorreram entre 1648 e 1658. Essa fase negra, deveu-se
principalmente à fraqueza dos reis e a problemas internos causados pela guerra
dos 30 anos¹, que pioravam a situação da população em geral e a tornava mais
susceptível a aceitar os judeus como culpados dos problemas.
No início do século XVIII, contribuindo para
piorar a situação dos judeus, o baixo clero Polonês começou a fazer constantes
acusações de que os judeus cometiam assassinatos rituais. A situação era tão
crítica que Jacob Zelig foi queixar-se ao Papa. Este enviou um comissário que
concluiu que as acusações não podiam ser provadas, mas mesmo assim, elas
continuaram.
Estando os judeus muito pobres e
vendo as perseguições se tornarem cada vez piores, os judeus buscaram nos livros
mundos imaginários melhores. Passava a ser também necessário pessoas capazes de
melhorar a auto-estima das pessoas dando-lhes conforto. Com isso, uma nova
ocupação passou a ser importante dentro das comunidades, era a do Baal Shem.
O Baal Shem (mestre do nome) era uma espécie mercador de magia. Ele conhecia o
nome dos anjos e demônios e teria o poder de obrigá-los a fazer a sua vontade.
Dessa forma, eles podiam curar os doentes, prever o futuro e indicar preces
mágicas. Um dos Baalei Shem chamava-se Israel bem Eliezer. Ele provavelmente não
tinha nenhum poder especial que o distinguisse dos outros, mas possuía devoção e
fé que inspiravam grande confiança. Ele tornou-se importante em vários lugares,
o povo o venerava e ele passou a ser conhecido como Baal Shem Tov (O senhor do
bom nome).
Ele começou a usar sua fama e influência para
ensinar sobre a fé judaica e ajudar a toda comunidade judaica a sair da crise.
As principais idéias que Besht (acrônimo de Baal Shem Tov) defendia eram a
presença de Deus em todo lugar, que a melhor forma de se aproximar de D´us é
pela alegria e leveza do coração e que uma simples prece funciona tão bem quanto
muito estudo e erudição. Porém, ele acreditava que a maioria das pessoas não
conseguiria se aproximar de D´us e que era necessário um exemplo e um guia, que
seriam os Tzadikim² (justos).
O movimento se difundiu e
acabou ganhando o nome de Chassidismo (vindo do hebraico, chassid significa
homem devoto). Na Polônia ele acabou sendo adotado especialmente na parte Sul,
mas na parte norte, onde os mitnagdim (opositores, que continuavam acreditando
que o estudo é mais importante do que a emoção) eram mais fortes e tinham um
grande líder: o Gaon de Vilna, o chassidismo pouco se difundiu. O Chassidismo tinha tendências panteístas, vendo todas as
coisas como manifestações de D’eus, tinha fortes ligações com a Cabala e
rejeitava o ascetismo. A este último opunha a alegria (simchá), capaz de
aproximar um homem de D’eus.
Até hoje o
Chassidismo é muito importante no judaísmo e Baal Shem Tov continua sendo
lembrado como um homem que ajudou o judaísmo a se manter forte num período de
crise.
1. Entre 1618 e 1648, a Europa viveu um
período de violentos conflitos religiosos entre protestantes e católicos.
2. Os mitnagdim argumentavam que não era
necessário um intermediário entre o homem e D'eus, por isso rejeitavam a idéia
dos Tzadikim.