A DIVISÃO DOS REINOS (aprox 900-719 a.E.C)
"E caiu Acazias pelas grades dum quarto alto, em Samaria, e adoeceu; enviou
mensageiros
e disse-lhes: Ide e consultai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta
doença.
Mas o anjo do SENHOR disse a Elias, o tesbita: Dispõe-te, e sobe para te
encontrares com
os mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Porventura não há Deus em israel,
para
irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?"
2Reis 1:2-3

Após a morte de Salomão, Israel se dividiu em dois
grandes reinos: Judá, ao sul, com capital em Jerusalém, que seguiu tendo um
descendente de David como rei e Israel, ao norte, que teve durante sua
existência de aproximadamente 200 anos cerca de 6 dinastias diferentes.
Os motivos dessa divisão estão
relacionados ao fato de Salomão ter privilegiado imensamente Judá, sua tribo
natal. Já durante o reinado de Salomão, alguns focos de rebelião haviam se
formado mas que devido a força do governo não conseguiram tomar forma. Roboão
era o descendente de Salomão a quem cabia ser rei de todo Israel. Contudo,
enquanto em Judá ele foi bem-vindo e coroado, quando foi para a parte norte, os
habitantes desta região queriam ao menos uma promessa de que Roboão diminuiria
os impostos e trabalhos forçados que eram dirigidos a eles.
Ao invés de agir diplomaticamente, Roboão
declarou que as tribos do norte pertenciam a ele por conquista. Essa resposta
desencadeou grandes protestos e Roboão foi obrigado a fugir de volta para o sul
para salvar sua vida. Surgiu então a possibilidade das tribos do norte formarem
um país próprio, ao qual deram o nome de Israel. O líder destas tribos era
Jeroboão, um Efraimita que já durante o reinado de Salomão havia tido
problemas¹
com o rei.
Ocorreu então a guerra entre Roboão e
Jeroboão, o sul e o norte, Judá e Israel. Foi uma guerra longa, mas não muito
intensa. No início, o norte era mais fraco e provavelmente teria sucumbido, caso
Judá não tivesse que enfrentar outra guerra, ao mesmo tempo contra os Egípcios.
Muito enfraquecidos por essa luta, Roboão teve de desistir dos planos de reinar
sobre Judá e Israel.
Judá e Israel desenvolveram-se de maneiras
muito diferentes. Judá estava em um local árido, de solo rochoso, incapaz de
criar muita riqueza e que não fazia parte das rotas comerciais. Por essas
características, não era alvo intenso do interesse de outros povos
conquistadores. Com isso, a dinastia reinante também não era muito pressionada
internamente, já que não se criam generais fortes e carismáticos em épocas de
relativa paz.
Israel, por outro lado, era o exato
oposto. Situada numa região fértil, centro do comércio entre o Egito e a
Mesopotâmia e tendo condições de produzir excedente para exportar para os
fenícios, Israel criou uma aristocracia forte e luxuosa, levando a grande
diferença social. Isso era ainda potencializado pelos perigos externos vindos de
povos vizinhos e conquistadores que buscavam toda essa riqueza e importância
comercial. Como resultado, Israel estava sempre em guerra e, cada guerra criava
generais fortes e interessantes para o povo que davam golpes de estado, criando
novas dinastias, mas que no fim não faziam grande diferença vindo a ser
substituídos por novos generais de características semelhantes.
Nesse contexto surgem os profetas. A
principal função destes homens era mostrar quando o povo ou os governantes se
desviavam do caminho da religião e buscar formas de corrigir estes erros. Os
principais problemas que os profetas apontavam eram: a desigualdade social
especialmente em Israel e, como era vontade de D´us que não apenas se fizessem
as orações e sacrifícios, mas que também os judeus se preocupassem com o bem dos
outros, a justiça social.
Outras idéias importantes dos profetas
estavam relacionadas com a assimilação e com a união do povo. Quanto ao problema
da união, era defendido que se Ele havia escolhido os descendentes de Abraão
para a aliança, logo deviam unir-se e não separar-se, como defendia Amós. A
assimilação era um problema, pois o contato intenso com outros povos e os
casamentos, especialmente de governantes, com mulheres de outros países
facilitava a incorporação de elementos de outros cultos ou o abandono de
elementos do judaísmo. Era esse o ideal, por exemplo, de Elias, um dos
principais profetas do período. Uma fascinante história deste profeta ocorre
depois do casamento de Acabe, rei de Israel com Jezebel, filha do rei de Tiro.
Certa vez, Acabe queria comprar a vinha de
Naboth. Contudo, Naboth não queria vender, como era seu direito pelas leis e
costumes de Israel. Acabe estava pronto a aceitar isso, já que acreditava nas
mesmas leis. Contudo, Jezebel, como vinha de Tiro, não podia aceitar que
qualquer habitante não cumprisse os desejos do rei. Contratou falsas testemunhas
que acusaram Naboth de traição. Este foi condenado à morte e sua vinha
confiscada pelo rei. Quando Acabe foi visitar sua nova propriedade encontrou o
profeta Elias, que lhe disse: “Mataste e agora pretendeis a herança?”.
Aliado à falta de união entre Judá e
Israel, surgia uma forte ameaça. Eram os Assírios, terríveis conquistadores que
aumentaram seu poder e que se expandiam rapidamente. Israel e Aram (outro
reino), tentando conter os assírios buscaram uma união junto com Judá. Esta,
porém, não aceitou e Aram e Israel decidiram invadir Judá e sitiar Jerusalém. O
rei de Judá, Acaz, enviou, então, um suborno ao rei da Assíria para que este
invadisse Aram. Com isso, Aram deixou de ser independente e Judá se salvou.
Israel era logicamente o próximo passo. O rei de Israel aceitou se submeter à
Assíria enquanto buscava modos de retomar sua independência. Isso levou os
Assírios a tomarem uma posição mais forte e, em 722 A.E.C., culminou
com a invasão de Israel, a queda de Samaria (719 A.E.C.) e o exílio dos
habitantes desta cidade, bem como de outros habitantes ricos e influentes do
resto do país.
Restava agora apenas um reino Judaico,
Judá.
1 Jeroboão teve que
buscar refúgio no Egito devido à perseguição por parte de Salomão.