Karl Marx, filho de
Heinrich e Henrietta e neto de um rabino, nasceu em Trier, na Prússia, em 5 de
maio de 1818. Seu pai, advogado, cujo nome original era Hirschel abandonou a fé
judaica para fugir do anti-semitismo, convertendo-se ao protestantismo, mesmo
que a maioria da população de Trier fosse católica.
Depois de terminar os
estudos básicos em Trier, foi para a Universidade de Bonn, em 1835. Em Bonn,
Karl Marx passava a maior parte do tempo socializando e acumulando dívidas. Seu
pai ficou horrorizado quando descobriu que ele tinha sido ferido em um duelo. O
pai de Karl Marx aceitou pagar suas dividas, mas insistiu para que o filho se
mudasse para a universidade de Berlim.
Em Berlim, Marx
dedicou-se aos estudos e foi influenciado por um de seus professores, Bruno
Bauer, que era ateísta e tinha opiniões radicais (que lhe causava problemas
com as autoridades).
Bruno Bauer introduziu
Marx à filosofia de Hegel e o aluno ficou fascinado com a concepção de Hegel
de que uma coisa não poderia existir sem seu oposto: a felicidade não poderia
existir sem a tristeza, o escravo não existiria sem o mestre e vice versa.
Hegel dizia que eventualmente atingir-se-ia a unidade, através da dialética
(progressão lógica) entre tese, antítese e síntese (resultado da união da
tese com a antítese). Esta era a teoria de Hegel do processo evolutivo da história.
Heinrich morreu em
1838, e agora Karl Marx tinha que ganhar seu próprio sustento. Para isso
decidiu tornar-se professor universitário e depois de completar sua tese de
doutorado na universidade de Jena, esperava que seu mentor, Bruno Bauer o
ajudasse a conseguir um emprego. No entanto, em 1842, Bauer foi demitido por
causa de seu ateísmo declarado e não pode ajudar.
Marx
tentou então a carreira jornalística, mas seus pontos de vista radicais
impediam a aceitação de seus artigos pela maioria dos editores. Marx mudou-se
para Colônia, onde o movimento liberal de oposição era razoavelmente forte. A
oposição liberal tinha um jornal, A Gazeta do Reno, e um artigo publicado por
Marx defendendo a liberdade de imprensa impressionou o grupo e ele foi nomeado
diretor em outubro daquele mesmo ano.
Em Colônia, Marx
encontrou Moses Hess, um radical que dizia ser socialista. Karl Marx passou então
a freqüentar reuniões socialistas organizadas por Moses Hess. Membros do grupo
alertaram Marx para a péssima situação da classe operária alemã, defendendo
que somente o socialismo poderia pôr um fim nisto. Baseado nestas reuniões,
Marx escreveu um artigo sobre a pobreza dos trabalhadores rurais das vinícolas
e criticou tanto o governo que logo após sua publicação, A Gazeta do Reno foi
banida pelas autoridades prussas.
Avisado de que poderia
ser preso, Karl Marx rapidamente casou-se com sua noiva, a abastada Jenny Von
Westphalen e mudou-se para Paris, onde lhe foi oferecido o cargo de diretor de
um jornal que se chamava Anais Franco-Germâicos. Entre os integrantes do jornal
estavam: Bruno Bauer, seu mentor; Mikhail Bakunin, o famoso anarquista russo; e
Friedriech Engels, o radical filho de um rico industrial alemão.
Em Paris, Marx
misturou-se com a classe operária pela primeira vez e ficou chocado com sua
pobreza, mas admirado com seu senso de companheirismo. Num artigo para este novo
jornal, Marx aplicou a dialética de Hegel ao que ele tinha observado em Paris.
Marx, que se dizia agora comunista, dizia que a classe operária viria a ser a
emancipadora da sociedade. Quando o artigo foi publicado, em fevereiro de 1844,
o jornal Anais Franco-Germânicos foi imediatamente banido da Prússia. O
proprietário do jornal ficou também irritado, pois era contra o ataque ao
capitalismo promovido por Marx.
Marx havia tornado-se
íntimo de Friedriech Engels, que acabara de escrever um livro sobre os operários
da Inglaterra. Engels e Marx tinham os mesmos pontos de vista em relação ao
capitalismo. Engels escreveu que havia quase que total acordo nos em todos os
campos teóricos. Marx e Engels decidiram, então, trabalhar juntos, unindo a
habilidade de Marx para lidar com conceitos abstratos e a de Engels para
escrever para as massas.
Enquanto trabalhavam
em seu primeiro artigo juntos, A Sagrada Família, as autoridades da Prússia
pressionaram a França a expulsar Marx do país. Em 25 de janeiro de 1845, Marx
recebeu uma ordem de deportação e junto com Engels mudou-se para a Bélgica,
um país que permitia maior liberdade de imprensa. Foram, então, para Bruxelas,
onde havia uma comunidade de exilados políticos, incluindo aquele que o
converteu ao socialismo: Moses Hess.
Friedriech Engels
agora financiava Karl Marx. Ele doou os royalties de seu livro sobre os operários
ingleses para Marx e arranjou doações, possibilitando que Marx usasse seu
tempo estudando o capitalismo e seu funcionamento e como o proletariado poderia
iniciar a revolução socialista. Ao contrário de outros filósofos, Marx não
estava interessado na descoberta da verdade, estava interessado em mudá-la.
Após um rápida
visita a Londres em Julho de 1845 e um encontro com o líder cartista, George
Julian Herney, Marx concluiu seu livro, A Ideologia Alemã. Neste livro Marx
desenvolveu sua teoria, o materialismo histórico. Segundo o materialismo histórico
o modo de produção determina a organização política e as representações
intelectuais da sociedade. Assim, a base econômica constitui a infra-estrutura,
que exerce influência direta na superestrutura, constituída pela jurídica,
política, e ideologia (artes, religião e moral) da época. A base material é
formada pelas forças produtivas (máquinas, técnicas, ferramentas, tudo que
permite a produção) e pelas relações de produção (relação entre os
proprietários dos meios de produção, matérias primas, máquinas; e aqueles
que possuem apenas a força de trabalho). Ao se desenvolverem, as relações de
produção geram conflito entre os proprietários dos meios de produção e os não
proprietários. O conflito causa o surgimento de novas relações de trabalho,
alterando a infra-estrutura e também a superestrutura e uma nova sociedade
emerge. Assim, Marx aponta a luta de classes como motor de mudança da história
que obedece um movimento dialético, ou seja, o desenvolvimento da tese (estado
burguês) causará o surgimento da antítese (proletariado), cuja interação
ocasionará o aparecimento da síntese (estado comunista sem classes). Para Marx
isso ocorria desde o começo da organização humana e tende ao comunismo, a
eventualmente alcançará o comunismo, a sociedade sem classes. Marx não
conseguiu encontrar um livro para publicar A Ideologia Alemã.
Em Janeiro de 1846
Marx criou um comitê de correspondência comunista, cujo objetivo era ligar os
lideres comunistas da Europa. Influenciados pelas idéias de Marx, socialistas
ingleses criaram uma nova organização chamada Liga Comunista. Marx formou uma
repartição na Bélgica e em Dezembro de 1847, foi a um encontra do Comitê
Central da Liga Comunista, em Londres. Neste encontro decidiu-se que os
objetivos da organização eram: a derrubada da burguesia, a dominação do
proletariado, a abolição da antiga sociedade burguesa baseada nos antagonismos
de classes e o estabelecimento de uma nova sociedade sem classes nem propriedade
privada.
Quando Marx voltou a
Bruxelas ele concentrou-se em escrever O Manifesto Comunista. Baseado em um
rascunho de Engels chamado de Princípios do Comunismo, era acessível às
massas ao contrário dos outros trabalhos de Marx. Com doze mil palavras, foi
terminado em um mês e meio. A idéia básica do Manifesto Comunista está
resumida neste período “Comunistas abertamente declaram que seus objetivos só
podem ser atingidos através da superação de todas as condições sociais
existentes. Que as classes dominantes tremam perante uma revolução Comunista.
Os proletários não têm nada a perder, exceto seus grilhões. Eles têm um
mundo a ganhar. Trabalhadores de todos os países, uní-vos”.
O Manifesto Comunista
foi publicado em Fevereiro de 1848. No mês seguinte, Marx foi expulso da Bélgica.
Marx e Engels visitaram Paris antes de se mudarem para Colônia, onde fundaram
um jornal radical, A Nova Gazeta do Reno. Eles esperavam usar o jornal para
estimular a atmosfera revolucionária que eles tinham visto em Paris.
Após amostras da
brutalidade da polícia, Marx ajudou a criar um Comitê de Segurança Pública,
para proteger o povo das autoridades. A Nova Gazeta do Reno continuava a
publicar artigos sobre atividade revolucionária em toda a Europa, incluindo a
tomada do poder austríaco pelos Democratas e a fuga do imperador.
O excitamento de Marx
em relação à possibilidade de uma revolução mundial começou a desaparecer
em 1849. O exército austríaco havia reempossado o imperador e tentativas de
rebelião em Dresden. Baden e no Ruhr foram sufocadas rapidamente. Em 9 de Maio
de 1849, Marx foi avisado de que seria expulso do país. A última edição da
Nova Gazeta do Reno saiu nove dias depois, em vermelho. Marx escreveu que apesar
de ser forçado a deixar o país, suas idéias continuariam a se espalhar até a
emancipação do operariado.
Marx foi então a
Paris, aonde ele achava que uma revolução comunista aconteceria a qualquer
momento. Em um mês ele foi expulso pela polícia, em 15 de Setembro ele foi
para a Inglaterra, o único país que o aceitaria.
Logo ao chegar, a
esposa de Marx teve seu quarto filho e as autoridades prussas pressionaram o
governo inglês para que expulsasse Marx, mas o primeiro-ministro, John Russel,
defendia a liberdade de imprensa e recusou-se a deportar Karl Marx.
Vivendo somente com o
dinheiro que Engels conseguia arrecadar, a família Marx vivia em extrema
pobreza. Em Março de 1850, foram expulsos de seu apartamento de dois quartos em
Chelsea por não pagar o aluguel. Mudaram-se para Soho, onde ficaram seis anos.
Franziska nasceu em Soho, mas viveu apenas um ano. Em 1855, Eleanor nasceu, no
entanto, Edgar morreu.
Marx passava a maior
parte do tempo no Museu Britânico, onde lia jornais e livros, analisando o
capitalismo. Engels voltou a trabalhar com seu pai para ajudar Marx
financeiramente. Nos vinte anos seguintes, eles escreviam cartas um ao outro a
cada dois dias, em média.
Em 1852, Charles Dana,
o editor socialista do jornal The New York Daily Tribune ofereceu a Marx a
oportunidade de escrever para seu jornal. Nos dez anos que se seguiram, o jornal
publicou 487 artigos de Marx (125 dos quais eram na verdade, de Engels). Outro
radical dos EUA, George Ripley, pagou a Marx para que ele escrevesse para a Nova
Enciclopédia Americana. Em1855, com o dinheiro do jornalismo de Marx e cento e
vinte libras herdadas da mãe de Jenny Von Westphalen, a família Marx mudou-se
para um terraço na cidade de Kentish.
Em 1856, Jenny Marx,
com 42 anos de idade, deu luz à uma criança morta. Sua saúde agravou-se ainda
mais quando ela contraiu varíola. Apesar de ter sobrevivido à doença, Jenny
ficou surda e com cicatrizes. A saúde de Karl Marx estava debilitada também e
ele escreveu a Engels dizendo que uma vida tão ruim não merecia ser vivida.
Em 1862,
aproximadamente, o trabalho para o The New York Daily Tribune acabou e os
problemas monetários de Marx voltaram. Engels enviava-lhe cinco libras por mês,
mas isso não impediu que Marx acabasse endividado. Ferdinand Lasalle, um rico
socialista de Berlim também começou a enviar dinheiro para Marx e ofereceu-lhe
emprego como editor de um jornal na Alemanha. Marx não queria retornar à sua
terra natal, da qual já havia fugido duas vezes. Lassalle continuou a enviar
dinheiro para Marx até 28 de Agosto de 1864, quando foi morto em um duelo.
Neste mesmo ano participou da fundação da Associação Internacional dos
Trabalhadores.
Apesar de todos os
problemas, Marx continuou a trabalhar e em 1867 publicou o primeiro volume de O
Capital. Em O Capital, Marx fazia sua análise mais profunda e completa da
sociedade capitalista e apontava para a injustiça da exploração do
proletariado pela burguesia. O Capital lidava com conceitos como a mais-valia, a
pedra fundamental de sua teoria. O operário vende sua força de trabalho e
durante uma parte da jornada de trabalho, trabalha para sustentar sua família
(salário); durante outra parte da jornada trabalha gratuitamente para o
proprietário dos meios de produção. Este trabalho gratuito cria a mais-valia,
fonte de riqueza da classe burguesa. O capital, criado pelo trabalho do operário
oprime o trabalhador e arruína a pequena produção criando um exército de
desempregados, garantindo o baixo preço do trabalho assalariado. A produção
em grande escala destrói a pequena produção tanto no campo da agricultura
quanto no campo da indústria, como resultado disso o capital concentra-se cada
vez mais nas mãos de um pequeno número de pessoas e cresce o exército de
desempregados de reserva. Cresce, assim, a anarquia da produção a corrida
louca aos mercados, as crises e a escassez de meios de subsistência para as
massas da população. Ao fazer aumentar a dependência dos operários
relativamente ao capital, o regime capitalista cria a grande força do trabalho
unido o que no futuro, quando a luta de classes atingir seu ápice com o
aparecimento da consciência de classe, o proletariado destrua o estado burguês
e instaure a ditadura do proletariado, que organizará a produção e a
distribuição de bens para que depois atinja-se o comunismo, a sociedade sem
classes.
Depois de publicado o
primeiro volume, Marx começou a trabalhar no segundo volume de O Capital,
auxiliado por sua filha, Eleanor, de dezesseis anos. A esta idade Eleanor Marx já
tinha um profundo entendimento do funcionamento da sociedade capitalista, fruto
de sua educação em casa, pelo pai. Eleanor viria a ter um importante papel no
movimento trabalhista inglês.
Marx foi novamente
encorajado pela Comuna de Paris, em Março de 1871 e a abdicação de Luís
Napoleão. Ele chamou a Comuna de Paris de maior sucesso socialista desde as
revoluções de 1848. Entretanto, em Maio a revolução entrou em colapso e
trinta mil integrantes da Comuna foram massacrados pelo governo.
Este fracasso deprimiu
Marx e após ele sua energia diminui. Ele continuava a progredir no segundo
volume de O Capital, embora lentamente, especialmente após Eleanor sair de casa
para ser professora em Brighton. Eleanor voltou, entretanto, em 1881 para cuidar
de seus pais, que estavam ambos muito doentes. Marx sobreviveu mas Jenny morreu
em 2 de Dezembro de 1881. Marx ficou devastado quando, em 1883, sua filha mais
velha morreu de câncer. Dois meses depois, em 14 de Março de 1883 Karl Marx
morreu.
O segundo e terceiro
volumes de O Capital foram publicados por Engels, postumamente.O quarto volume
foi publicado por Karl Kautsky, um socialista amigo de Engels. Entre outros
livros que Marx escreveu estão: O 18 brumário de Luís Bonaparte (análise do
golpe de estado de Napoleão III, do ponto de vista do materialismo histórico),
Contribuição à crítica da economia política (tratado de teoria econômica)
e A Questão Judaica.
A Questão Judaica foi
publicada no jornal Anais Franco-Germânicos, em 1844, baseada em um texto de
Bruno Bauer, seu mentor, sobre a emancipação judaica na Alemanha. Marx
escreveu que os judeus não deveriam ser tratados diferentemente e deveriam
trabalhar em prol da emancipação alemã e humana. Dizia também que os judeus
deveriam abandonar sua fé para que pudessem se integrar na sociedade e deixar
de praticar seus hábitos exploradores.
Fonte:
http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/biography/marx.html
Enciclopédia Barsa
As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo - Lenin