JERUSALÉM         ירושלים

        Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Que se cole minha língua ao palato, se não me lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria." (Salmos 137:5-6)

A cidade

     Jerusalém localiza-se no centro de Israel, no distrito que leva seu nome. Localiza-se sobre o planalto central da Palestina a 760 metros de altitude (sendo este um dos motivos pelo qual a palavra Aliá, em português subida, refere-se à subida do judeu a Jerusalém). Com um clima temperado e temperaturas médias de 24oC verão (agosto) e de 10oC no inverno (Janeiro).

       Sua população é de 724 000 pessoas, sendo 65% judaica, 32% muçulmana e 2 % cristã. Tem uma área de 123 Km2. O prefeito é Uri Lupolianski, um ortodoxo judeu.

         O Emblema de Jerusalém simboliza: a através das oliveiras a paz, através do muro sua santidade e através do leão um de seus nomes, Ariel (Leão de Deus).

         A cidade é dividida em Cidade Velha, que corresponde a área que fica dentro das muralhas, sendo dividida em 4 bairros (judaico, cristão, muçulmano e armênio) e é o centro religioso. E cidade nova, construída a partir de 1860, que é o centro econômico.

 Locais importantes:

             Kotel Hamaaravi (muro das Lamentações): Localiza-se na cidade velha. É o que restou do antigo Beit Hamikdash (Templo sagrado). Quando, no ano 70 E.C., os romanos invadiram Jerusalém para conter uma revolta, Tito (General Romano) mandou destruir o Beit Hamikdash e deixar de pé apenas um dos muros dos jardins externos. Até hoje, é costume de muitos judeus rezar próximo ao muro e deixar nele bilhetes com pedidos.  

        Muralhas e portões da Cidade Velha: A cidade velha é cercada por uma muralha que foi construída por Suleiman no século XVI. Nessa muralha existem 8 portões: o de Jaffa, de Damasco, Dourado, de Herodes, de Dung, de Sião, Novo e dos Leões. Destes, o portão dourado está sempre fechado e, segundo a tradição, será por este portão que o Messias entrará em Jerusalém. Já o portão dos Leões é o portão pelo qual os pára-quedistas das Forças de Defesa de Israel entraram na Cidade Velha, durante a Guerra dos Seis Dias.         

           Ben Yehuda: Rua que é o centro comercial e social de Jerusalém.

        Mea Shearim: É o bairro ortodoxo de Jerusalém, quase toda sua população é judaica ortodoxa. Por ele, é proibido andar de carro durante o shabat.

          Har Hazikaron (Monte da lembrança): Formado pelo cemitério Nacional judaico (onde estão enterrados figuras importantes da história nacional de Israel, como Theodor Herzl), pelo cemitério militar e pelo Yad Vashem (um museu em memória de todos aqueles que sofreram com a shoá, holocausto em português).

                          Cidade Santa

        Jerusalém é a cidade santa das três maiores religiões monoteístas do mundo. Para os muçulmanos, foi a partir do local onde hoje se localiza o domo do rochedo que a alma de Maomé subiu aos céus. Para os muçulmanos, Jerusalém é a terceira cidade mais santa e eles a chamam de Al-Quds.

         Para os cristãos, a cidade é o local onde Jesus de Nazaré teria vivido importantes episódios de sua vida e sido crucificado. Em Jerusalém, encontra-se a Igreja do Santo Sepulcro, muito importante para os cristãos.

        Já para o judaísmo, Jerusalém é capital política e espiritual. Na época de Abraão, o rei de Jerusalém celebrou com ele uma união. David a conquistou e fez dela capital de Israel. Salomão colocou nela o Beit Hamikdash. Por tudo isso, é para lá que dirigimos nossas rezas, é ela o centro do sionismo (um dos nomes de Jerusalém é Sião, ou Tzion). Foi a partir dela que a sociedade Israeli floresceu na época das primeiras Aliót. Com isso, 3000 anos de história conectam Jerusalém e o povo judeu.

                        Judaísmo

 

Para o Judaísmo, Jerusalém é a Cidade Santa na Terra Santa. No Tanach, Jerusalém é citada diversas vezes. Foi no Monte Moriah, em Jerusalém, que Abraão ofereceu Isaac em sacrifício. David escolheu Jerusalém como capital e, assim, uniu as 12 tribos. Salomão escolheu Jerusalém para construir o Beit Hamikdash e nele colocar a arca da aliança, reforçando ainda mais o espírito de união. Beit Hamikdash que foi destruído pelos Babilônios em 586 A.E.C, reconstruído na época de Esdras e Neemias, reformado por Herodes e novamente destruído.

  

Desde a época do exílio na Babilônia, quando as sinagogas foram criadas para substituir em parte as funções do templo, os judeus voltam-se para Jerusalém para rezar.     

 

No calendário Judaico, várias datas estão diretamente relacionadas com Jerusalém. O Tishá Be Av, um jejum no qual lembramos a destruição do Beit Hamikdash. Chanuká, que celebra um episódio da revolta dos macabeus, no qual o óleo que poderia acender uma vela por um dia, acendeu a vela por 8 dias no Templo Sagrado.

 

O Beit Hamikdash

 

Após David conquistar Jerusalém, ele queria erguer um templo em homenagem a Deus. Contudo, como David era um homem que tinha participado de muitas guerras, Deus não permitiu. Coube, então, a Salomão, seu filho, construir. A construção do templo consumiu grande parte do tesouro de Real durante 7 anos e acabou sendo a mais importante obra deste reinado.

                                

 Em 701 A.E.C, os Assírios quase conquistaram Jerusalém, mas provavelmente devido a uma peste recuaram. Em 586 A.E.C, os Babilônios liderados por Nabucodonosor conquistam Jerusalém e destroem o templo. Começa o primeiro exílio. Alguns anos após, a Babilônia cai sob domínio persa e os judeus são autorizados a voltar. Em 516 A.E.C, o Templo estava reconstruído, muito mais modesto, mas o Templo. Cabe destacar nessa época o trabalho fundamental de 2 educadores, Esdras e Neemias que incentivaram a população a valorizar o templo.

          Jerusalém caiu depois sob domínio Grego, durante o qual ocorreu a revolta dos Macabeus contra a transformação do Beit Hamikdash em um templo de características gregas. Houve depois a dominação Romana. Com Herodes ocorreram reformas no templo. As más condições de vida sob domínio romano, levaram os judeus a se rebelarem em 66 E.C e, quatro anos depois o Templo foi destruído.

         Em 132, ocorre a revolta de Bar Cochba, na qual os judeus acabam sendo dispersos pelo mundo. A partir de então, apenas um pequeno número de judeus mora constantemente em Jerusalém.

O Retorno

        Entre a dispersão dos judeus e a sua volta a Jerusalém em grande número a partir de 1800, a cidade passou pela mão de vários povos. Foi dos bizantinos, cruzados, árabes, e turcos-otomanos. Foi sob domínio Turco- Otomano que os judeus começaram a voltar a Jerusalém, nas primeiras Aliót. Em 1850, metade da população de Jerusalém já era judia. Foi nessa época que a cidade velha se  divididiu em 4 bairros e que começou a surgir os primeiros bairros na parte nova.  O primeiro bairro a surgir fora das muralhas da cidade foi o Mishkenot Sha’ananim, em parte patrocinado por Moses Montefiore.

       Com a primeira guerra mundial, o império turco otomano acaba e o controle de Jerusalém, assim como de toda a Palestina passa a ser Britânico. Nessa época, mais judeus voltam a Jerusalém, mas a imigração é controlada. Em 1948, o mandato Britânico acaba e Israel se torna independente, mas Jerusalém passa a estar dividida.

                                                                    Jerusalém dividida

        Em 1947, a ONU (organização das nações unidas) aprova o plano de partilha da Palestina. De acordo com esse plano, se formariam dois estados na região (Israel e Palestina) e a cidade de Jerusalém se tornaria uma cidade internacional, administrada pela ONU.

        Contudo, quando Israel declara independência os países árabes iniciam uma guerra. Após um ano, Israel mantém sua independência, o estado Palestino não se forma e Jerusalém acaba dividida entre Israel (parte ocidental) e Jordânia (parte oriental, incluindo toda cidade velha).

        Em 1950, Israel declarou Jerusalém sua capital. O knesset (parlamento foi para lá, onde se reunia em hotéis, cinemas, museus). O prédio do parlamento que é usado até hoje foi inaugurado em 1966.

Em 1967, ocorre a guerra dos 6 dias, na qual Israel é atacada. Durante este conflito, Israel conquista Jerusalém Oriental. Desde então, celebramos o Iom Ierushalaim, no qual se celebra a reunificação de Jerusalém.

Em 1980, o Knesset aprova uma lei declarando que Jerusalém é a capital eterna e indivisível de Israel.

Apesar de Israel ter declarado Jerusalém sua capital, a maioria dos países não aceita. Com isso, as embaixadas estão em sua maioria em Tel Aviv, como recomendado pela ONU e como já ocorria antes das leis e da reunificação. Até agosto de 2006, a Costa Rica e El Salvador mantinham suas embaixadas em Jerusalém, mas foram transferidas agora para Tel Aviv.

Jerusalém Hoje

 Existe uma lei, atualmente, em Jerusalém, que diz que qualquer prédio que for construído na cidade deve ser construído (pelo menos sua fachada) com uma pedra especial que se encontra em Jerusalém. Esta pedra, de coloração branca, reflete a luz do sol em determinados momentos, fazendo com que a cidade adquira uma coloração dourada. Daí a expressão Yerushalaim shel Zachav (Jerusalém de Ouro). Outro nome que Jerusalém recebe é cidade de David, em memória do rei israelense que a conquistou.

Em Jerusalém, a população é menos rica do que em cidades como Haifa e Tel-Aviv. Existe um número considerável de pessoas pobres. Uma das razões é a existência de um grande número de famílias  de judeus ortodoxos e com uma grande população árabe, já que nestes dois grupos, é comum que apenas o pai da família trabalhe. Os judeus ortodoxos recebem uma pensão anual do governo para ajudá-los a sustentar-se economicamente.           

Até alguns anos atrás, existiam conflitos entre os judeus ortodoxos e os que não são tão rigorosos em sua prática. O grande problema era quando algum judeu não-ortodoxo passava de carro no Shabat pelo Mea Shearim. Os ortodoxos consideravam isto um desrespeito ao judaísmo e às vezes atiravam pedras nos carros.

  A economia de Jerusalém se baseia no turismo e no comércio. Ela é muito visitada por seu valor religioso. A tecnologia também vem se desenvolvendo ultimamente como, por exemplo, no instituto Technion. . Há um jornal importante publicado em Jerusalém que é o Jerusalém Post, em inglês. Em vista de seu valor histórico, a instalação de indústrias não é encorajada para não alterar muito o aspecto da cidade.  

Os esportes preferidos pela população são o basquete e o futebol. No futebol, destacam-se dois clubes: Beitar Yerushalaim e Hapoel Yerushalaim. Jogam pela primeira e segunda divisões, respectivamente. Um ponto muito famoso da cidade é o estádio Teddy Kollek, que homenageia o homem que foi prefeito de Jerusalém por quase 30 anos.

            “Por três mil anos, Jerusalém tem sido o centro da esperança e dos anseios judaicos. Nenhuma outra cidade desempenhou papel tão dominante na história, cultura, religião e consciência de um povo quanto Jerusalém desempenhou na vida dos judeus e do judaísmo. Através de séculos de exílio, Jerusalém permaneceu viva nos corações dos judeus em todos os lugares como o ponto focal da história judaica, o símbolo da glória passada, de plenitude espiritual e de renovação moderna. Este coração e alma do povo judeu engendra o pensamento de que se você quiser uma única palavra para simbolizar toda a história judaica, essa palavra seria ‘Jerusalém’”  

— Teddy Kollek, ex-prefeito de Jerusalém

Bashaná Abaá Be Yerushalaim! Chazak Vê Alê!

CHAZIT HANOAR  2006 – ISSO È VIVER!

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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