A GUERRA DO CANAL DE SUEZ (1956)
No
outono de 1948, o Conselho de Segurança da ONU convocou Israel e os países árabes
a negociarem armistícios. As delegações dos países se encontraram na ilha de
Rodes, mediados por Ralph Blunch. No final de 1949, acordos de cessar-fogo
tinham sido negociados entre Israel e Egito, Síria, Líbano e Jordânia. O
Iraque se recusou a negociar.
Após 1949, os
países Árabes começaram a insistir em que Israel aceitasse as fronteiras da
partilha de 47, como proposto pela ONU. Apesar dos armistícios, o Egito
mantinha seu estado de beligerância contra Israel. Em 9 de Agosto de 1949, a
Comissão Mista de Armistício da ONU aceitou a reclamação israelense de que o
Egito estava bloqueando o Canal de Suez para seus navios ilegalmente.
Em 1° de
Setembro de 1951, o Conselho de Segurança da ONU ordenou que o Egito abrisse o
Canal para navegação israeli. O Egito se recusou a cumprir. A situação
manteve-se num estado de tensão contida. No início de 1954, Muhammad Salah
al-Din, Ministro das Relações Exteriores do Egito declarou “O povo árabe não
terá vergonha de declarar: não estaremos satisfeitos, a não ser pela obliteração
total de Israel do mapa do Oriente Médio”.
Em 1955, o
presidente Egípcio Gamal Abdel Nasser começou a importar armas do bloco soviético
para ajuntar seu arsenal para o confronto futuro com Israel. Enquanto uma guerra
total não iniciava, Nasser utilizou uma nova tática para agredir Israel. Ele a
anunciou em 31 de Agosto do mesmo ano: “O Egito decidiu despachar seus heróis,
os discípulos do Faraó e os filhos do Islã e eles vão limpar a Terra da
Palestina... Não haverá paz na fronteira de Israel porque nós exigimos vingança,
e vingança é a morte de Israel”.
Estes heróis
eram os fedayeen, terroristas árabes
treinados e equipados pela inteligência egípcia para levar a cabo ações
hostis na fronteira e infiltrar-se em Israel para cometer atos de assassinato e
sabotagem. Os fedayeen operavam
principalmente de bases no Jordão, para que este país sofresse as retaliações
de Israel. Os ataques terroristas violavam o armistício, que proibia o início
de hostilidades por forças paramilitares. Mesmo assim, foi Israel que foi
condenada por seus contra-ataques.
Os problemas
continuaram a aumentar quando Nasser bloqueou os estreitos de Tiro e
nacionalizou o canal de Suez (cujos donos eram os ingleses). Em 25 de Outubro de
1956, Nasser assinou um acordo com a Síria e o Jordão colocando-o em comando
dos exércitos dos 3 países.
Em 29 de
Outubro Israel atacou o Egito, tendo como justificativa os ataques dos fedayeen, o bloqueio do Golfo de Ácaba e do Canal de Suez e o teor
dos comentários árabes (Nasser havia declarado, duas semanas antes, que odiava
Israel e que pretendia destruir o país).
Junto de
Israel, forças da França e da Inglaterra invadiram o Egito. Em 30 de Outubro,
os Estados Unidos propuseram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU
exigindo a imediata retirada de Israel, mas a França e a Inglaterra vetaram
esta resolução. No dia seguinte iniciaram-se os bombardeios franceses e
ingleses das bases aéreas egípcias perto de Suez.
Em 5 de
Novembro, as tropas israelenses tinham capturado praticamente todo o Sinai e os
aliados europeus capturaram a cidade de Port Said. Logo após começarem a
desembarcar tropas britânicas e francesas em Port Said, a Inglaterra concordou
com um cessar-fogo, a apenas 40km da cidade de Suez. O que fez os ingleses
pararem foi uma ameaça soviética de usar “qualquer tipo de arma destrutiva
moderna” para parar a violência e a oferta dos EUA de liberar um empréstimo
de 1 bilhão de dólares do Fundo Monetário Internacional.
Apesar de seus
aliados não terem atingido seus objetivos, Israel ficou satisfeita com sua
operação. Em apenas 100 horas, o exército israeli havia capturado a Faixa de
Gaza e ido até Sharm-Al-Sheik, ao longo da costa do Mar Vermelho. 231 soldados
israelenses morreram nesta operação.
O presidente
dos EUA Dwight Eisenhower, não aceitou que Israel, França e Inglaterra
tivessem secretamente planejado a operação, sem o conhecimento dos EUA e
ignorando pedidos de não fazer guerra. Os EUA se juntaram à União Soviética
em uma campanha para fazer com que Israel se retirasse do Egito. Isto incluía
ameaças de findar toda a assistência prestada pelos EUA a Isrel e expulsão da
ONU.
Israel retirou-se das áreas conquistadas sem obter nenhuma concessão do governo do Egito. Uma das razões que fez com que Israel cedesse à pressão de Eisenhower foi a promessa deste de manter a liberdade de navegação no Canal de Suez. Além disso, os EUA apoiaram uma resolução da ONU criando as Forças de Emergência das Nações Unidas, para manter a paz nos territórios evacuados por Israel.