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Yom Yerushalaim


Por uma Jerusalém livre...

Há 48 anos os paraquedistas do exército israelense entravam pelos portões da cidade velha de Jerusalém. Depois de quase 2000 anos o povo judeu voltaria a ter domínio sobre a cidade da paz.

Yerushalaim, em hebraico, deriva das palavras Ir, cidade e Shalom, paz. Ou também, derivado da palavra Yir'á, temor a D'us e Shalem, integridade ou perfeição. Assim, Jerusalém representa tanto o temor perfeito ou completo dos céus, quanto a cidade da paz.

Ao longo da história, Jerusalém foi destruída duas vezes, sitiada 23 vezes, atacada 52 vezes, e capturada e recapturada 44 vezes. Já esteve na mão de babilônios, persas, gregos, romanos, bizantinos, árabes, cruzados, mamelucos, otomanos e britânicos.

Tão cobiçada e disputada, não é preciso ir muito longe para ver que a tranquilidade não prevaleceu na Cidade da Paz. Mas onde está o erro?

Há um midrash no Talmud que conta a história de um homem que convida seu inimigo para um banquete por engano, e ao perceber tal erro expulsa-o de sua festa mesmo com a súplica do homem, que é humilhado na frente de todos; inclusive dos rabinos, que nada fizeram. O homem humilhado procura os romanos para se vingar e a cidade acaba queimando e o Templo Sagrado destruído.

Segundo o midrash, Jerusalém foi destruída por causa do ódio:
O anfitrião não pôde aceitar seu inimigo sob circunstância alguma. Qualquer reconhecimento seria admitir que, a despeito das diferenças entre eles, existia um intrínseco relacionamento. Permitir que o homem ficasse significaria haver uma conexão, e portanto, em algum nível, um compromisso, Isto para o anfitrião era impensável.

O midrash nos traz o conceito de "Sinat chinam", ódio gratuito: a recusa de reconhecer uma conexão, um compromisso para com o outro, não por causa de alguma coisa que a pessoa houvesse feito, mas tão somente por causa da pessoa, pela sua presença no mesmo espaço. Sinat chinam significa que o simples fato de a outra pessoa existir é uma ofensa.

Nós da Chazit visamos "Alcançar em nossa Medinat Israel uma sociedade baseada nos princípios de respeito, liberdade, justiça social e consciência ambiental, que atue constantemente por sua melhoria e sirva de exemplo para o mundo" e cabe a nós questionar até que ponto não estamos repetindo os erros do passado e praticando esse ódio gratuito.

Hoje em dia, Jerusalém é um antro de disputa, de separação e de conflito, quando na realidade deveria ser o centro da cooperação e do progresso. Além de todos os conflitos com a população palestina na parte oriental da cidade, os setores ortodoxos e laicos estão entrando cada vez mais constantemente em choque devido a desavenças ideológicas.

Não podemos repetir os erros do passado. Temos consciência da complexidade da situação, mas devemos sempre praticar o Ahavat Chinam, o amor gratuito, ao invés do ódio. É nosso dever como povo e como Chazit lutar por uma Jerusalém livre, justa, respeitosa, consciente e - por que não? - compartilhada. Yom Yerushalaim sameach, que consigamos construir a paz em Israel.

Chazak Vê Alê, Chazit Hanoar Porto Alegre - Por um Novo Amanhã.

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Escrito por Iuko em 2014-05-28.